Percurso da Luz

Alguns leitores que nos acompanharam até aqui poderão interrogar-se sobre a relação do problema tratado com o subtítulo do artigo, que contém uma referência à luz. A relação é simples de enunciar: quando a luz percorre um meio diferente do vazio, a sua velocidade de propagação é diferente e depende do meio. E o percurso de um raio luminoso que parte de um ponto \(A\) e passa por outro ponto \(B\) tem uma forma tal que minimiza6 o tempo de percurso (princípio de Fermat). Por exemplo, a velocidade de propagação da luz é, no ar, bastante superior à que tem lugar na água. Então, o raio luminoso tem uma alteração de direcção na superfície de transição dos dois meios, com ângulos satisfazendo a condição atrás deduzida. À relação entre as velocidades de propagação da luz, no ar e na água, chama-se índice de refracção da água relativamente ao ar.

A figura seguinte mostra três fotos, tiradas exactamente do mesmo ponto de vista, de uma caneca com uma moeda no fundo, quase totalmente não visível na primeira e que é progressivamente tornada visível quando a caneca é enchida com água.

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A explicação para o fenómeno ilustrado na figura anterior reside precisamente na mudança de direcção que os raios luminosos partindo da moeda sofrem quando chegam à superfície da água.


6 Nos exemplos dados, o percurso total é realmente minimizado, mas o que se pode afirmar com generalidade é que o percurso seguido pela luz minimiza localmente o tempo gasto, isto é, minimiza-o relativamente a todos os percursos suficientemente próximos.